A grande maioria das pessoas que conheço, considerando
aquelas que pegam ondas, gostam de viajar atrás do balanço do mar.
Nós, humanos, assim como os animais, necessitamos de
períodos migratórios. Repetindo os bichos, também retornamos ao ponto inicial
da jornada.
Este ponto, o ponto inicial da jornada, onde nossa
estrutura está, onde fincamos raízes, onde passamos a maior parte do ano, tem valor
incalculável.
No dialeto “surfístico” não passo de
mais um “haole”. Este estigma carregarei para o resto da minha existência. Afinal,
nasci cerca de 170km da praia onde comecei a pegar ondas. Mas, o que antes
considerava um peso, uma ofensa, um fardo, após viver no Havaí, entre 2001 e
2004, tornou-se algo natural, algo verdadeiro. Nas Ilhas aprendi que “haole”,
apesar do tom diminutivo que esta palavra tem no Brasil, significa forasteiro
ou estrangeiro na língua nativa.
Portanto, sou um “haole” mesmo, sou
e serei sempre um forasteiro em todas as praias e ondas que um dia peguei
ondas, enquanto migrar pelos mares e lugares do planeta.
Quis o destino, quiseram os ventos, as ondulações e as
correntes, quis o meu bolso, quiseram Iemanjá, Nossa Senhora dos Navegantes e o
diabo a quatro que meu barco atracasse em Florianópolis. Sabem os deuses até
quando.
Deixo pras ondas decidirem e enquanto elas não se
pronunciam, junto grana pros próximos períodos migratórios aproveitando o que
de melhor o sul da Ilha de Santa Catarina tem pra oferecer. Na frente de casa!
Fotos deste post de Jovani Prochnov, produzidas na
ondulação que recebemos no feriado do dia das crianças.
Abraço!!!











